Editorial nº 43 -
Dedica-te mas é à pesca…
Esta expressão, que dá o título a este Editorial, é frequentemente usada e em situações as mais diversas. Contudo é usada, a maioria das vezes, por pessoas que nada, mas mesmo nada, percebe de pesca e seus meandros e segredos.
E, por outro lado, é usada com um sentido depreciativo. Como se um qualquer artolas, que em outras actividades é considerado um zero à esquerda, conseguisse obter melhores resultados na pesca…
Talvez que há um bom par de anos, a forma como se pescava, ou tentava apanhar peixe, fizesse algum sentido e, por isso, lhes desse alguma razão. A prática era pouca, os materiais eram muito mais rudimentares, as técnicas não existiam ou eram incipientes, os iscos eram o que de mais fácil se conseguisse arranjar, etc., etc..
Hoje em dia, mesmo para a pesca de lazer, já é preciso estar minimamente preparado, tanto em materiais como em conhecimentos, para se poder desfrutar, com um mínimo de prazer, deste desporto.
E, se falarmos de pesca de competição, então é que a dita expressão não faz o mínimo sentido. Ele é materiais construídos com matérias-primas e técnicas as mais evoluídas, são os acessórios os mais diversos e mais específicos, são os iscos cultivados, preparados e seleccionados consoante as espécies que queremos capturar, são os equipamentos de apoio à optimização da postura em acção de pesca e da disponibilidade dos apetrechos e acessórios que devem estar à mão para se poder estar em acção de pesca o maior tempo possível. Um sem número de requisitos que é necessário estarem disponíveis na altura própria.
Todos sabemos que a pesca não é uma ciência exacta. Mas que tem as suas regras e as suas leis disso não há dúvida nenhuma. Tem igualmente outros factores, que aqui refiro e considero fundamentais: espírito competitivo, atenção aos pormenores (que muitas vezes fazem a diferença entre um bom e um mau resultado) e a avaliação, no local, das condições que existem naquele dia e naquela hora. A ordem por que estão mencionados não significa que o estejam por ordem crescente ou decrescente do seu peso no resultado final.
Pelo referido acima, que os utilizadores desta expressão se deixem de dar conselhos bacocos e, se os seus destinatários não conseguem singrar numa determinada actividade, usem o seu tempo e dinheiro para a aprenderem e a dominarem de modo a desempenhá-la com eficácia.
Que me conste não se usa a expressão, para um mau pescador, dedica-te mas é a … Prezamos muito os pescadores que elegeram esta modalidade como a “sua” modalidade, independentemente das suas capacidades.
E agora, digo eu: que muito mais gente se dedique à pesca, não como solução menor para colmatar as suas incapacidades, mas como forma saudável de aproveitar o melhor possível o que a natureza nos dá.
Carlos Martins, 11 de Maio de 2008
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